Os animais digitalmente alienígenas de Spielberg

Parc Omega, 2023 // Paulo Rebêlo
(c) Paulo Rebêlo / rebelo.com.br

Olhe bem nos olhos dessa criatura. Fascinante e ao mesmo tempo assustador.

Fui assistir ao novo filme de Steven Spielberg, Disclousure Day (2026), e saí do cinema correndo para recuperar essas fotografias que fiz três anos antes, em junho de 2023. São registros no Parc Oméga (Omega Park), na região do Québec, Canadá.

Os olhos dos cervídeos (alce, veado, cervo) é que fazem a expressão Deer’s Eyes‘ ser tão comum em inglês. Na fotografia, é muito instigante de olhar; mas pessoalmente, ali pertinho deles, é uma sensação estranha, difícil de entender e explicar. É um pouco pesado, um pouco desconfortável, ao mesmo tempo em que é mesmerizante, quase hipnótico.

Quando um alce fixa o olhar em você, parece que ele está conseguindo enxergar alguma coisa além. Eu ri por dentro quando senti isso, na hora me lembrei do meu medo de velhinhas simpáticas

A ciência diz que é exatamente o contrário: o olhar dos cervídeos é bem menos nítido do que o nosso, então durante o dia eles precisam focar o objeto por mais tempo para conseguir processar direito o que estão vendo realmente.

No Brasil, a ficção científica de Spielberg ganhou o título de Dia D e, sem spoilers, fala sobre alienígenas. Óbvio que eu ia gostar, mas foi uma frustração gigante ver que o diretor optou por fazer os animais 100% digitais e de um jeito tosco, tipo um sobrinho que se acha editor de vídeo porque usa Capcut no celular.

Tem uma cena específica que parece um desenho animado da Disney, de tão bizarro que ficou.  Incompreensível, porque todo o resto do filme é bem montado e produzido. Caramba, é uma produção milionária com a “grife” Steven Spielberg.

O filme é muito bom para quem gosta de ficção científica e excelente para quem é fascinado por tudo relacionado a alienígenas e fronteiras espaciais. A gente ignora os furos de roteiro, os clichês, o excesso desnecessário de cenas impossíveis de ação… mas foi impossível ignorar a tosqueira dos animais digitais, renderizados de um jeito tosco e perceptivelmente artificial.

Fiquei rindo ao imaginar se faltou dinheiro para terminar a produção. Até porque as poucas cenas em que os animais aparecem são apenas nos trechos finais do filme e acrescentam muito pouco, quase nada, à narrativa como um todo. Em tese, isso seria outro argumento para usarem animais reais, com câmeras milionárias e zilhões de vezes melhores do que a minha Fujizinha que fez esses registros em 2023.

Fiz uma seleção desses olhos fascinantes no Flickr, além de alguns exemplos no final deste texto, abaixo. Esses alces do Parc Oméga são criados desde pequenos para circular em ambiente controlado, com presença humana e até de veículos (desde que bem devagar e sem buzinas), por isso foi relativamente fácil se aproximar tanto para fazer os registros. Se você cortar cenoura e segurar os pedaços, eles comem da sua mão bem de boas. Usei essa artimanha para conseguir outras imagens bacanas.

Alô, alienígenas. Não gosto de cenoura, tragam bacon e coxinhas para mim.


Parc Oméga, 2023. (c) Paulo Rebêlo / rebelo.com.br

Parc Oméga, 2023. (c) Paulo Rebêlo / rebelo.com.br Parc Oméga, 2023. (c) Paulo Rebêlo / rebelo.com.br Parc Oméga, 2023. (c) Paulo Rebêlo / rebelo.com.br Parc Oméga, 2023. (c) Paulo Rebêlo / rebelo.com.br

 

Categories: Fotomemórias

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