Os animais digitalmente alienígenas de Spielberg
Fui assistir ao novo filme de Spielberg — Disclousure Day (2026) — e saí do cinema correndo para recuperar essas fotografias que fiz três anos antes, em junho de 2023.

Fui assistir ao novo filme de Spielberg — Disclousure Day (2026) — e saí do cinema correndo para recuperar essas fotografias que fiz três anos antes, em junho de 2023.

Estávamos admirando a lua no céu azul e só depois percebemos: não éramos os únicos em admiração. Esse é o carcará, o nosso falcão brasileiro. Se a lua traiu até a Joelma, parece que estava pronta para me trair também: o carcará parecia fascinado por ela.

Chegamos neste parque de girassóis em Planaltina (DF) e estavam todos mortos. É um sentimento estranho ver um girassol tão de pertinho e saber que ele não vai mais girar em direção ao sol.
Para manter o foco na falta de foco, gosto desta fotomemória ranzinza no distante e desfocado ano de 2008. Não é foto artística, acho que foto desfocada é foto desfocada, simples assim, mas há situações em que vale desfocar de propósito para dar esses efeitos interessantes.
Moço, então é assim que se faz pipoca de cinema? Parece que é, porque eu também nunca tinha visto tão de perto uma máquina dessas. Foi somente a partir dessa pipoqueira que consegui colocar em prática o que eu “achava que entendia” sobre luz e fotografia noturna.
Tenho me perguntado o que deveria fazer com meus 25 anos de arquivo fotográfico. Com bastante atraso, começo a publicar estas fotomemórias ranzinzas em formato de pequenas croniquetas sobre o contexto de algumas fotografias e o significado delas para mim.
Se você tiver as manhas, a Nikon é uma monstra pragmática da eficácia. E quando usei uma D90 depois de dez anos, bateu saudades disso. A Nikon tem deficiências? Tem. Parou no tempo em relação à concorrência? Parou e faz tempo. Oferece opções de qualidade na linha de entrada? Não oferece. Tem inovações tecnológicas? Não tem. Mas a Nikon simplesmente vai lá e faz. Resolve qualquer pepino, descasca qualquer abacaxi, salva a pauta e o prazo.
Esse autorretrato é a única lembrança que tenho da minha primeira câmera digital de verdade, a Sony Alpha-100, uma guerreira que passou por mil e uma presepadas ao meu lado, no frio e no calor, nas chamas do coquetel molotov e nas rajadas de neve do Leste Europeu.
Naquele milissegundo em que o diafragma da lente se abre e o obturador da câmera se fecha, quem você é não faz a menor diferença. Ninguém quer saber em quem o fotógrafo vai votar nas próximas eleições, no que ele pensa da pauta ou da estratégia, do que fez na vida ou do conhecimento acumulado que tem. Com a imagem feita, vamos embora e ninguém percebe, porque naquele raio de visão a gente não estava ali mesmo. E eu acho isso lindo.
Graças a Mark Zuckerberg, descobri que muitas mulheres continuam tendo os mesmos sonhos de criança. Quando eu era guri, todos os meninos queriam ser jogador de futebol e todas as meninas queriam ser modelo. A gente nem chamava de modelo, era manequim.