Girassol sobrevivente

Girassol sobrevivente // Foto: Paulo Rebêlo
(c) Paulo Rebêlo

Chegamos neste parque de girassóis em Planaltina (DF) e estavam todos mortos. É um sentimento estranho ver um girassol tão de pertinho e saber que ele não vai mais girar em direção ao sol.

Havia um sobrevivente.

De cabeça erguida, mas de aspecto cansado. Parecia lutar contra o inevitável. Um técnico da Emprapa passou ali perto e disse que o ciclo das chuvas no Distrito Federal foi irregular, choveu mais cedo (em abril/2026) do que o esperado e em volume bem maior do que o previsto. Com isso, quase todos os girassóis sucumbiram aqui no Centro de Pesquisa Agropecuária.

Além do único sobrevivente, havia mais três ou quatro que tentavam se reerguer, visivelmente sem forças, em meio a centenas de outros girassóis que apenas olhavam para a terra. Foi a primeira vez que um girassol me deixou com peso na consciência, sei lá o motivo.

Ao redor de Brasília há três conhecidos parques de girassóis. O mais próximo fica em Planaltina, no terreno da Embrapa Cerrados. É conhecido como ‘Girassóis da Embrapa‘ e coloquei uma pequena seleção de fotos no Flickr. Há outro na BR-251 no Paranoá, quase na divisa entre o DF e Goiás; e outro um pouco mais distante, na BR-040 em Luziânia, em Goiás. Deve haver outros parques de girassóis, mas só conheço esses três.

Girassol é bonito de ver, mas sempre me causa muito saudosismo.

Acho que é porque lembro dos meus pais em uma época bem distante, quando viajávamos juntos de carro nas férias. Houve uma viagem em que eu não estava e eles encontraram por acaso um parque de girassóis no Goiás. Nunca tinham visto girassóis tão de perto e, por coincidência, a época e o horário fizeram com que as plantas estivessem enormes e radiantes.

Eles saíram andando no meio dos girassóis, parecia uma montagem de cinema. Vi apenas duas ou três fotos. O saudosismo que me invade, quando lembro dessas fotografias, é muito pessoal e talvez sem sentido. Acho que é por isso que, apesar de bonitos e singulares, os girassóis me deixam meio triste. Não é uma tristeza ruim. É apenas aquela velha e triste frustração sobre minha relação com o tempo.

Girassol sobrevivente // Foto: Paulo Rebêlo Girassol sobrevivente // Foto: Paulo Rebêlo

 

 

Categories: Fotomemórias

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