A jangadinha da Lulu

Vila de pescadores às margens do rio, com estrutura simples e ambiente tranquilo, refletindo a cultu.

Paulo Rebêlo | maio 2026

Esta é a Jangadinha da Lulu.

Todo fim de semana, Lulu e o marido saem de casa por volta das 4h da madrugada e atravessam o rio Maceió-Paratibe nesta jangada improvisada. No braço, sem motor, feita de madeira e isopor.

Chegam umas 5h-6h da manhã na Praia de Tabatinga, que fica ao lado da Praia de Carapibus, na Paraíba, a 30km da capital João Pessoa. Dona Lulu fica dentro da jangada preparando os petiscos e os bons drinks, turbinados com as perigosas vodcas Slova e Valoff, mas também com cachaças São Paulo e Mata Limpa. Esta, aliás, é uma típica cachaça fabricada no brejo paraibano, no município de Areia.

Do fogão de duas meias bocas, Lulu prepara iguarias nutritivas como batata frita, filé de merluza, caldinho de peixe e caldinho de tilápia (também não entendi a diferenciação), carne de sol e a estupenda calabreza com Z, que é muito melhor do que calabresa com S.

Enquanto isso, o boy magia dela fica de garçom e de contador de histórias. Atendem até o final de tarde. Levam cadeiras e banquinhos para você entornar seu mé dentro do rio. Queira. Depois de pagar a conta, lá de cima do mirante você pode ver os dois indo embora para casa, empurrando a jangada mangue adentro.

Carapibus é bastante conhecida, de nome, para quem mora na região. Eu só conheci em janeiro de 2026 e me arrependo de nunca ter ido antes. São tantos lugares pertos que a gente deixa de conhecer. Tantas histórias que escuto e deixo de escrever.

Fico pensando nas centenas de Lulus que conheci em tantos anos de viagem, de reportagem, de aprendizagem. Deve haver alguma poesia nisso, só não sei qual é.

Categories: Crônicas, Fotomemórias

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