Em uma ruazinha escura na parte alta de Budapeste, encontrei uma taberna belga onde, quase sempre, eu parecia ser o único cliente disposto a voltar. De todos os colegas que levei, só dois ou três admitiram ter gostado, mas ninguém pedia para voltar. Gostava não apenas pela cerveja e pelo tempero diferente, mas porque o dono,… Continue reading
Posts in "Crônicas"
Um doce para Maria
Sem tirar o olhar do prato vazio, elas cruzam o garfo e faca, empurram suavemente para frente e dizem que não querem sobremesa. Ela também disse, duas ou três vezes, que não estava chateada, era apenas dor de cabeça ou cólica. Nenhuma mulher feliz nega sobremesa. Às vezes, o cálice sagrado da compreensão feminina é… Continue reading
Uma noite no supermercado
A primeira vez que entrei em um supermercado, sem precisar dar satisfação a ninguém, foi quase como ver aberta as portas do paraíso. Naquele instante, nem o céu islâmico com 76 virgens me pareceu tão interessante quanto aquele carrinho de compras e meu talão de cheques novinho, zero bala. Se naquela época achar uma virgem… Continue reading
O homem do telhado
Mal havia saído da adolescência quando conheci um cara chamado Cegonha. Esportista, ele treinava bem próximo de onde eu morava na época. Às vezes, eu passava naquela casa velha caindo aos pedaços a qual chamavam de academia. Quase sempre, ao entrar, me deparava com um homem sozinho no telhado. Ele mirava o horizonte e por… Continue reading
Envelhecendo na cidade
Se a gente não acompanha uma cidade em seu próprio ritmo, nada será como antes. É como um casal que se divorcia pedacinho por pedacinho, a cada dia, a cada detalhe renegado.
A lágrima masculina
Paulo Rebêlo | abril 2009 Homens também choram. Nem sempre pelos motivos mais nobres, é verdade. Mas nem por isso podemos desvalorizar cada gota de lágrima a escorrer pela barba. Há nove anos, quando o Sport Recife perdeu de virada para o Palmeiras o inédito título da Copa dos Campeões, faltou saliva para engolir…. Continue reading
As mulheres que nós (ainda) amamos
Paulo Rebêlo // março 2009 * De todas as peculiaridades femininas, há três quase sobrenaturais que nem a ciência ou a psicologia haverão de explicar aos homens. Seis meses é todo o tempo necessário para uma maravilhosa mulher se transformar em outra nem tão maravilhosa assim. Em seis meses elas ganham doze quilos, cortam os… Continue reading
Manifesto ninfetas assassinas
Paulo Rebêlo | fevereiro.2009 As mulheres não entendem a mania de homem largar tudo por uma ninfeta. Que fique registrado: a gente também não. Nem sempre largamos uma pela outra e quase sempre voltamos. Dois peitinhos apontados para o céu até chamam a atenção, mas futilidades o vento leva rápido. Ninguém deixa ninguém por causa… Continue reading
Ventos alísios de janeiro
Paulo Rebêlo | janeiro.2009 O mais difícil de janeiro é a balança. É quando você tenta descobrir o peso das pessoas que passaram pela sua vida, das que ficaram e, principalmente, das que voltaram. Feita a pesagem, vem o pêndulo de um relógio de parede. Ele pende para um lado, lembrando as pessoas que você… Continue reading
Tudo bem no ano que vem
Paulo Rebêlo // dezembro.2008 O mundo só se torna um lugar interessante quando há opções. Sem elas, o trabalho se transforma numa rotina sufocante a qual as pessoas não conseguem sair. O trânsito se torna um companheiro que você nem sente mais, talvez como o próprio companheiro que divide o teto e as contas da… Continue reading