Eu havia lido sobre a história da Capela Santa Catarina de Alexandria, anos atrás, e finalmente consegui fazer esse registro. Foi construída há 60 anos pelos portugueses que foram expulsos de Goa, na Índia, e por cá fincaram bandeira. Desistiram no meio do processo e voltaram para Portugal, restando apenas a capela.
Posts tagged "viagens"
Memórias alfas de uma guerreira
Esse autorretrato é a única lembrança que tenho da minha primeira câmera digital de verdade, a Sony Alpha-100, uma guerreira que passou por mil e uma presepadas ao meu lado, no frio e no calor, nas chamas do coquetel molotov e nas rajadas de neve do Leste Europeu.
A fotografia é meu manto da invisibilidade
Naquele milissegundo em que o diafragma da lente se abre e o obturador da câmera se fecha, quem você é não faz a menor diferença. Ninguém quer saber em quem o fotógrafo vai votar nas próximas eleições, no que ele pensa da pauta ou da estratégia, do que fez na vida ou do conhecimento acumulado que tem. Com a imagem feita, vamos embora e ninguém percebe, porque naquele raio de visão a gente não estava ali mesmo. E eu acho isso lindo.
De volta a Kowloon sem nunca ter ido
Ainda estava sem chip de internet, mas tinha uma noção geográfica que estava perto do rio e fui seguindo o fluxo mais lógico pelo horário e posicionamento do sol, agradecendo (pela milésima vez na vida) os sábios ensinamentos do Manual do Escoteiro Mirim que eu gostava de ler quando criança. Quanto mais eu andava, mais eu me sentia em casa. A cada beco, a cada viela, a cada carrocinha que passava, vinha uma sensação de familiaridade que senti poucas vezes na vida. É como se eu estivesse refazendo um caminho conhecido, sem nunca ter estado ali.
Memórias de sanduíche americano do sul
A idade me trouxe um pouco de parcimônia para me controlar e não quebrar na porrada todos os dentes dos jovens que voltam do exterior espantados que lá fora ninguém fala “ecs burguer” e que só no Brasil se usa o termo x-burguer no sanduíche.
A timidez me salvou do Quirguistão
A esposa de Satã não queria tomar café, queria tomar cerveja. Eu sabia disso, estava escrito na testa dela, mas acima daquela testa maravilhosa de pele de veludo também tinha uma placa imaginária em neon violeta luminoso me dizendo: é cilada, bino.
Quando a esposa de Satã me acordou
Os seguranças da universidade sempre me achavam, pontualmente às 22h00, geralmente cochilando no sofá. Quando começaram a me chamar pelo nome, desconfiei se estava dormindo demais na biblioteca. Até o dia em que uma criatura do mal, talvez uma psicopata soviética, ou a verdadeira esposa de Satã, resolveu me acordar para penhorar minha alma com café.
Quando me senti um Totoro de estimação na Coréia
Quando pisei na Coréia do Sul, em 2005, demorou a cair a ficha. Porque sem querer era um sonho de criança sendo realizado: conhecer a Ásia. Mas nunca imaginei que iria me sentir um Totoro de estimação.
Onde fica o Serasa dos planejamentos que se foram
Talvez por ter vivido sem planos de absolutamente nada, sem entender direito o tal do amanhã, que esses planejamentos frustrados tragam a saudade com tanta força. Mas onde a gente consegue pegar uma fila, fazer um cadastro e esperar para cair no esquecimento feito uma dívida antiga? Deveria haver um Serasa para essas coisas.
A grande sacanagem francesa
Não tenho a menor simpatia pela França, especialmente por Paris que considero um engodo social, mas admito que durante muito tempo alimentei um fetiche pelo Aeroporto Charles de Gaulle.
