Da fofura à gastura

Quando escuto minhas amigas em dúvida se ainda gostam da outra pessoa, eu já sei a resposta, elas também já sabem a resposta, mas a gente senta para beber e concluir o óbvio mesmo assim. O único que nunca sabe de nada é o dito cujo, pois a gente tem essa tendência delirante de achar que as mulheres estão sempre contentes do nosso lado.

O planeta empatia e o conflito entre Rússia e Ucrânia

Quinze anos atrás, passei quase dois anos convivendo e compartilhando com tanta gente da Ucrânia, Rússia e todo o Leste Europeu. Isso não me faz especialista em geopolítica, muito menos avalista de conflito bélico, mas infelizmente me aproxima de pessoas que passei a querer muito bem e que me ensinaram muito, mas muito mesmo.

Memórias de sanduíche americano do sul

A idade me trouxe um pouco de parcimônia para me controlar e não quebrar na porrada todos os dentes dos jovens que voltam do exterior espantados que lá fora ninguém fala “ecs burguer” e que só no Brasil se usa o termo x-burguer no sanduíche.

Cansado de esperar o cansaço

A estrada ficou mais longa, as pessoas ficaram mais distantes. As reuniões continuam inúteis, os doguinhos continuam abandonados, o espetinho continua borrachudo, a pizza continua ruim e até os jagunços são os mesmos; pois agora são os filhos daqueles que há 25-30 anos sentavam ao meu lado com a faca na cintura.

A timidez me salvou do Quirguistão

A esposa de Satã não queria tomar café, queria tomar cerveja. Eu sabia disso, estava escrito na testa dela, mas acima daquela testa maravilhosa de pele de veludo também tinha uma placa imaginária em neon violeta luminoso me dizendo: é cilada, bino.

Quando a esposa de Satã me acordou

Os seguranças da universidade sempre me achavam, pontualmente às 22h00, geralmente cochilando no sofá. Quando começaram a me chamar pelo nome, desconfiei se estava dormindo demais na biblioteca. Até o dia em que uma criatura do mal, talvez uma psicopata soviética, ou a verdadeira esposa de Satã, resolveu me acordar para penhorar minha alma com café.